Rejeição da proposta da patronal
Na quinta-feira, dia 27, os trabalhadores e trabalhadoras do setor de construção civil em Belém (PA) decidiram, em assembleia, não aceitar a proposta feita pelos empregadores durante a campanha salarial da categoria. A oferta incluía um ajuste de apenas 4,1% no piso salarial, um valor que não cobre nem mesmo a inflação do período. Além disso, a patronal sugeriu um aumento insignificante de R$ 6 na cesta básica, que atualmente está fixada em R$ 160.
Assembleia da categoria
Os líderes do STICMB (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Belém) qualificaram essa proposta como desrespeitosa e exigirão um retorno com condições adequadas, que inclua um reajuste real, uma cesta básica justa, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e melhorias nas cláusulas sociais que regem a categoria.
Uma nova rodada de negociações está prevista com os empresários para o dia 1º de setembro e, logo após, ocorrerá uma nova assembleia dos trabalhadores na quinta-feira, dia 3, às 18h, na sede do Sindicato. A direção do STICMB convoca todos os trabalhadores para participarem de forma massiva. Caso não seja apresentada uma proposta aceitável, os operários ameaçam deflagrar uma greve.

Razões para a insatisfação
O sindicato chamou atenção para a realidade contraditória enfrentada pelos trabalhadores da construção civil. Durante as obras da COP30, as empresas do setor receberam bilhões de reais em dinheiro público. O número de imóveis contratados nesse setor cresceu impressionantes 101%, e os preços subiram 10,54%. Mesmo com a ampliação da capacidade de vendas e lucros das construtoras, o Sinduscon-PA (sindicato patronal) ainda assim se obstina a oferecer aumento zero real aos operários que, com seu trabalho árduo, sustentam esse lucro.
Histórico de greves na construção civil
Os operários da construção civil de Belém não são estranhos à luta contra a opressão patronal. No ano passado, em um momento crítico que antecedeu a COP30, a categoria realizou uma greve marcante que expôs a hipocrisia das autoridades e dos empresários que pregavam a “sustentabilidade” e o “futuro do planeta” enquanto exploravam aqueles que construíam a infraestrutura necessária para o evento com suas próprias mãos.
Contradições no setor
A contrariedade nas ofertas patronais gera indignação entre os trabalhadores. Em um cenário onde as construtoras registraram lucros bilionários, os salários e benefícios dos trabalhadores permanecem estagnados. Essa realidade amplifica o desejo da categoria de lutar pelo reconhecimento e por condições justas.
Mobilização e protestos
Retornando à mobilização, a categoria se mostra pronta para não aceitar mais desrespeito em suas reivindicações. De acordo com o sindicato, existe uma possibilidade concreta de adesão geral à greve em todos os canteiros da Região Metropolitana de Belém, com a realização de protestos, passeatas e outras formas de manifestação nas ruas.
Reivindicações dos trabalhadores
A pauta de reivindicações apresentada pelos trabalhadores inclui:
- Aumento Salarial: Um reajuste de 10% no salário.
- Cesta Básica: Aumento do valor da cesta básica para R$ 360.
- Promoção de Mulheres: Efetivação das promoções para profissionais do sexo feminino.
- Pagamento em Dia: Garantia de que o salário seja pago até o último dia do mês.
- Vale-Transporte: Opção de pagamento do vale-transporte em dinheiro.
Apoio da CSP-Conlutas
A CSP-Conlutas reafirma seu total apoio à luta dos trabalhadores da construção civil de Belém. Essa categoria demonstrou bravura e organização ao enfrentar a exploração patronal, e agora se levanta mais uma vez contra propostas que apenas tentam empurrar os operários para o limite da sobrevivência, em um setor que se enriquece cada vez mais.
Aqueles que constroem prédios, escolas, hospitais e toda a infraestrutura das cidades não podem continuar sendo compensados com migalhas, enquanto empresários se beneficiam de vultosas quantias de dinheiro público e privado.
Próximos passos e novas assembleias
Com uma nova assembleia marcada para quinta-feira (3), os trabalhadores terão a oportunidade de atualizar-se sobre as discussões com a patronal e decidir os próximos passos a serem seguidos. A participação de todos será essencial para fortalecer a luta coletiva e pressionar os empregadores a apresentarem uma proposta justa.
Possibilidade de greve geral
A atual situação sinaliza um cenário onde a categoria pode efetivamente se preparar para uma greve geral. O sentimento de indignação e a necessidade de mudanças são palpitantes e, caso não haja disposição por parte dos empresários em negociar de forma séria, a mobilização pode intensificar-se. A luta por um salário digno e condições de trabalho adequadas é um poderoso motor para que essas tentativas se concretizem.


