PA: Instalação de data center de IA avança em Belém

O que é o Projeto BEL1?

O Projeto BEL1 se refere à implantação do primeiro data center de inteligência artificial na Amazônia, localizado em Belém. Com a expectativa de que suas operações iniciem no segundo trimestre de 2027, essa iniciativa, promovida pelas empresas Elea Data Centers e Axia Energia, visa aprimorar a infraestrutura digital em áreas consideradas estratégicas e remotas do país.

Investimentos e Expectativas para 2027

Para viabilizar o seu funcionamento, o projeto prevê um investimento inicial de aproximadamente R$ 250 milhões. A escolha de Belém como sede se deu em 2024, coincidentemente após a cidade ser confirmada como o local da 30ª Conferência das Partes (COP30) das Nações Unidas, o que pode indicar um impulso no desenvolvimento tecnológico local e na atração de investimentos. O data center será situado na Avenida Artur Bernardes, na zona portuária, próximo à subestação de alta tensão Miramar. Esse posicionamento geográfico facilitará a conexão com centros de IA em várias cidades, incluindo Fortaleza, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Bogota e Santiago.

Impactos Ambientais do Data Center de IA

A instalação do BEL1 traz à tona várias preocupações relacionadas aos impactos ambientais e sociais. A capacidade prevista do data center, inicialmente de 7,5 megawatts (MW), pode aumentar até 100 MW nas fases futuras, o que representa um consumo significativo de energia elétrica. Em contextos internacionais, como em polos de data centers na Virgínia, já foi observado um aumento da pressão sobre a infraestrutura energética local, resultando em custos elevados para os consumidores e também em problemas relacionados à poluição sonora na vizinhança. Essas questões levantam um debate urgente sobre a sustentabilidade do projeto.

data center

Reações da Comunidade Local

A divulgação do projeto despertou uma série de manifestações de resistência na comunidade local, preocupada com os impactos sociais e ambientais que a instalação do data center poderia provocar. O movimento popular e entidades democráticas têm buscado se manifestar contrariamente à falta de transparência nas informações e estudos prévios. Essas reações culminaram em uma representação ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) por parte da deputada estadual Lívia Duarte (PSOL), exigindo uma fiscalização rigorosa sobre os impactos ambientais e energéticos do projeto.

Ação do Ministério Público do Pará

Como resposta ao clamor popular e às solicitações de mais transparência, o MPPA iniciou um inquérito civil para investigar a legalidade do projeto e seus possíveis reflexos na região. Esse inquérito visa assegurar que a população tenha um verdadeiro acesso às informações e participe ativamente das decisões que possam afetar sua qualidade de vida e o meio ambiente. A expectativa é que, a partir dessa ação, sejam apresentados estudos de impacto que avaliem corretamente a capacidade da rede elétrica e os riscos associados ao projeto.



O Papel da Axia Energia

A Axia Energia, antiga Eletrobras, desempenha um papel central na execução do projeto BEL1. A Eletrobras foi privatizada em 2022 e passou a ter um novo nome em outubro de 2025, assumindo a responsabilidade também pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que tem um histórico de conflitos com os povos originários da região. A atuação dessa empresa levanta questões sobre a ética de se confiar o desenvolvimento de infraestrutura essencial a instituições que já foram denunciadas por violações de direitos humanos e danos socioambientais.

Considerações sobre a Sustentabilidade

Embora haja garantias de que o BEL1 utilizará um sistema de refrigeração por expansão direta — que evita o uso de torres de evaporação de água —, especialistas e grupos de controle alertam que os licenciamentos devem seguir critérios técnicos rigorosos. É necessário avaliar o impacto total da instalação sobre a geração de calor, o uso de água como fonte emergencial e a preservação dos recursos hídrico locais, aspectos que são críticos para a sustentabilidade ambiental da região.

A Tecnologia por Trás do BEL1

O projeto BEL1 não envolve apenas a instalação de um data center, mas aponta para uma discussão mais ampla sobre o que significa realmente o desenvolvimento tecnológico. O neurocientista Miguel Nicolelis critica a proposição de que a vinda de data centers estrangeiros representa um verdadeiro avanço científico nacional, apontando que a instalação física dessas estruturas não necessariamente implica em domínio de tecnologias, transferência de conhecimento ou na geração de empregos duradouros para a população local.

Comparações com Data Centers Internacionais

A experiência em outras regiões do mundo, como a Virgínia nos Estados Unidos, ilustra os desafios que surgem com a instalação de data centers em larga escala. Esses locais enfrentam questões como a pressão sobre a infraestrutura energética, o aumento de custos para os consumidores e a poluição nas comunidades vizinhas. Tais comparações destacam a importância de uma análise crítica e cuidadosa antes da implantação do BEL1, considerando os possíveis efeitos a longo prazo sobre a sociedade e o meio ambiente.

A Luta Popular Contra o Projeto

A mobilização da população de Belém, incluindo camponeses, trabalhadores urbanos e povos tradicionais, é essencial para contestar os interesses que buscam se apropriar dos recursos naturais. A defesa intransigente dos direitos da comunidade e a proteção dos recursos naturais são vistas como partes fundamentais dessa luta. O projeto BEL1, sob a perspectiva dessa mobilização, representa não apenas um desafio à soberania do Brasil sobre seus recursos, mas também um campo de batalha entre os interesses imperiais e a resistência popular que defende um futuro sustentável e democrático.



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