Entenda o Pacote de Belém; que inclui 29 documentos aprovados na COP30

O que é o Pacote de Belém?

O Pacote de Belém refere-se ao conjunto de 29 documentos aprovados durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, conhecida como COP30, que ocorreu em Belém, no Brasil. Essas discussões, que se estenderam por 13 dias, resultaram em um acordo unânime entre os 195 países que participaram do encontro. O Pacote de Belém se posiciona como uma das conquistas significativas para o combate à mudança climática, reunindo avanços importantes em várias áreas, como financiamento para a adaptação climática, igualdade de gênero e as contribuições nacionalmente determinadas pelos países em termos de redução de emissões.

A presidência brasileira da COP30 desempenhou um papel crucial em facilitar essas negociações, com ênfase na relevância do Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a necessidade de se estabelecer compromissos adequados para garantir a preservação das florestas e o fortalecimento da adaptação às mudanças climáticas. Esses documentos agora estão disponíveis no site da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, permitindo um acompanhamento contínuo de sua implementação.

Principais Conquistas da COP30

As principais conquistas da COP30 incluem o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que visa garantir o financiamento para a preservação das florestas tropicais, assim como o compromisso de triplicar o financiamento da adaptação climática até 2035. Além disso, foram realizadas discussões sobre o papel das comunidades no enfrentamento das mudanças climáticas e a criação de planos de ação que buscam integrar a igualdade de gênero nas estratégias ambientais. Essas ações são um passo importante na busca por soluções mais justas e eficazes para os desafios climáticos que o mundo enfrenta atualmente.

Outro aspecto fundamental é o aumento das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), que são os compromissos de cada país para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. A COP30 promoveu a apresentação de 122 NDCs, refletindo uma maior mobilização global para enfrentar a crise climática. Esses compromissos são essenciais, pois cada nação deve revisar e aumentar suas metas a cada cinco anos, como parte do esforço contínuo para alcançar os objetivos traçados pelo Acordo de Paris. As reuniões também foram uma plataforma para discutir indicadores de adaptação que envolvem diversos setores, visando um monitoramento mais eficiente das ações climáticas.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre

Um dos marcos mais significativos da COP30 foi a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Este fundo apresenta um modelo inovador que estabelece um sistema de pagamento para os países que mantêm suas florestas tropicais. A lógica por trás do TFFF é bastante clara: países que se comprometem a preservar suas florestas recebendo financiamento por meio de um fundo de investimento global.

Até agora, 63 países já apoiaram essa iniciativa, que desbravou um caminho com a mobilização de aproximadamente US$ 6,7 bilhões. O interessante é que esse financiamento não se configura como uma doação, mas sim como um capital que os investidores desejam recuperar com rendimentos compatíveis com as taxas de mercado. Assim, as florestas passam a ser vistas não apenas como um patrimônio ambiental, mas também como um motor de desenvolvimento socioeconômico.

Essa iniciativa é particularmente relevante em um contexto onde muitas nações enfrentam dilemas entre o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. Através do TFFF, pode-se observar que é possível almejar um desenvolvimento sustável. A proposta é que, ao observar a preservação florestal como um investimento com retorno numérico, países e investidores se sintam encorajados a participar desse empreendimento benéfico.

Financiamento da Adaptação Climática

Durante as discussões do Pacote de Belém, o aumento do financiamento para a adaptação às mudanças climáticas se destacou como uma das prioridades dos 195 países participantes. Um dos compromissos assumidos é a meta de triplicar os recursos dedicados à adaptação até 2035. Este aumento significativo é visto como essencial, especialmente para os países em desenvolvimento, que frequentemente enfrentam desafios maiores devido à sua vulnerabilidade.

O documento intitulado “Mutirão” trouxe uma abordagem inovadora ao apresentar um método contínuo de mobilização que se estende além da realização da COP30. Os países se comprometeram a mobilizar, pelo menos, US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para ações climáticas em países em desenvolvimento, proveniente de fontes públicas e privadas. Isso demonstra um esforço colaborativo em busca de garantir que as nações, especialmente as mais necessitadas, tenham os recursos necessários para enfrentarem a crise climática que se agrava ao longo do tempo.

Compromissos da COP30

Os compromissos assumidos na COP30 incluem uma variedade de tópicos que abrangem a adaptação climática, a mitigação das emissões e a promoção da igualdade de gênero nas políticas climáticas. O evento contou com a participação de muitas vozes que enfatizaram a importância de um planejamento que priorize a justiça social em todas as ações de combate ao aquecimento global.



Um dos compromissos mais notáveis foi a dedicação da conferência em priorizar a transição justa, conforme mencionado nas diretrizes aprovadas. A ideia é que as transições relacionadas à economia verde levem em consideração as populações mais vulneráveis, garantindo que elas sejam protagonistas nas ações e ganhem atenção especial nos contextos de mudanças climáticas.

Além disso, a COP30 também reafirmou a determinação por uma ambição coletiva crescente. Para isso, dois mecanismos de implementação foram estabelecidos: o Acelerador Global de Implementação e a Missão Belém para 1,5 °C. O primeiro busca apoiar os países na execução de suas NDCs, enquanto o segundo é voltado para promover iniciativas de mitigação, adaptação e investimentos colaborativos.

Contribuições Nacionalmente Determinadas

A COP30 ficou marcada pela apresentação de 122 Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), o que representa uma mobilização significativa de países que se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. A NDC é uma ferramenta crucial, pois cada nação deve oficialmente apresentar suas metas e compromissos para a redução das emissões a cada cinco anos, alinhando-se assim ao objetivo maior do Acordo de Paris.

As contribuições são consideradas um elemento essencial das negociações climáticas, uma vez que elas refletem os esforços individuais de cada país. A atualização e o aumento da ambição das NDCs nas próximas edições da COP são fundamentais para o cumprimento dos objetivos globais de limitar o aquecimento global. A COP30 evidenciou o fortalecimento desse movimento global com o aumento do número de países que se sentem responsáveis e entrelaçados nas discussões efetivas contra a mudança climática.

Meta Global de Adaptação

A Meta Global de Adaptação também recebeu destaque na COP30, com a introdução de 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso nesta área. Esses indicadores envolvem setores críticos, como água, alimentação, saúde, infraestrutura e ecossistemas, todos interligados a questões transversais de financiamento, tecnologia e capacitação.

Este foco nos indicadores de adaptação é essencial porque permite um acompanhamento mais efetivo das ações que os países estão implementando para se adaptar às mudanças climáticas que já estão em curso. Monitoração adequada é um ponto crucial para o sucesso de políticas e iniciativas futuras, garantindo que os esforços sejam direcionados a áreas realmente impactadas e que necessitam de intervenções.

Importância da Igualdade de Gênero

A igualdade de gênero foi um tema amplamente discutido na COP30, e pela primeira vez, os documentos finais da conferência menciona a inclusão de afrodescendentes. O fortalecimento da participação de mulheres indígenas, afrodescendentes e rurais foi promovido por meio de um Plano de Ação de Gênero aprovado, um passo fundamental para garantir que as vozes dessas comunidades sejam escutadas nas discussões climáticas.

As políticas de gênero nas ações climáticas não só visam o empoderamento de mulheres e grupos marginalizados, mas também são vistas como uma necessidade para garantir uma resposta mais efetiva e equitativa aos desafios que a mudança climática traz. Mulheres desempenham papéis cruciais na gestão de recursos naturais e são frequentemente as mais afetadas pelas consequências das mudanças climáticas. Portanto, abordar a desigualdade de gênero no contexto ambiental é um elemento chave para alcançar soluções mais justas e sustentáveis.

O Papel das Comunidades Vulneráveis

O reconhecimento das comunidades vulneráveis como protagonistas nas discussões climáticas foi outro ponto relevante abordado na COP30. As discussões enfatizaram que é fundamental que esses grupos – que frequentemente enfrentam os impactos mais severos das mudanças climáticas – tenham um espaço central nas estratégias de mitigação e adaptação.

A inclusão de afrodescendentes, por exemplo, demonstra a necessidade crescente de visibilidade das vozes que muitas vezes são marginalizadas nessas conversas. Para o Brasil e outros países, a consideração das necessidades e direitos dessas populações deve ser uma prioridade, com a implementação de políticas públicas que garantam sua inclusão nos processos decisórios relacionados à mudança climática.

Desafios para o Futuro das Florestas

Apesar das conquistas e do progresso evidenciado durante a COP30, vários desafios permanecem em relação à preservação das florestas e à luta contra a mudança climática. O Mapa do Caminho, que busca afastar a economia dependente de combustíveis fósseis, ficou de fora dos documentos aprovados, mostrando que ainda existem barreiras significativas para alcançar o consenso necessário.

Desafios como a resistência de alguns países em relatar seus planos de transição de forma clara demonstram a complexidade do assunto. A COP30, no entanto, fez avanços importantes e deixou claro que o Brasil continuará a liderar as discussões sobre esses temas nos próximos anos. Um compromisso renovado com a preservação ambiental e a luta contra as mudanças climáticas será essencial para garantir um futuro sustentável. O papel das florestas tropicais e a implementação efetiva das políticas do Pacote de Belém serão cruciais neste processo.



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