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Contexto da Cúpula dos Povos

A Cúpula dos Povos é um evento internacional que reúne diversas vozes de movimentos sociais, organizações populares e cidadãos preocupados com as questões climáticas e sociais. Seu objetivo central é promover a justiça climática, destacando a importância das vozes e experiências de comunidades marginalizadas. Desde a sua primeira edição, a Cúpula tem sido um espaço de resistência e proposição de alternativas sustentáveis frente às convenções mundiais sobre o clima, como a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas.

Em 2025, a Cúpula dos Povos ocorreu em Belém, Pará, coincidentemente na mesma época em que a COP 30 se desenvolvia. Este contexto ampliou a relevância do evento, pois permitiu um diálogo aberto e crítico sobre a eficácia das políticas que estão sendo propostas e discutidas nas mesas oficiais da conferência climática. A interação entre os participantes da Cúpula e os representantes da COP trouxe à tona diversas demandas, ressaltando a luta por justiça social, ambiental e os direitos dos povos na luta contra a crise climática.

Essa manifestação não é isolada; ela faz parte de um movimento global maior que busca colocar a voz dos afetados em primeiro plano, questionando a lógica das soluções que muitas vezes ignoram as necessidades das comunidades que estão na linha de frente das mudanças climáticas. Com a presença de centenas de representantes de diversos segmentos, a Cúpula foi um palco essencial para que as reivindicações ecoassem em nível internacional.

ANDES-SN participa da barqueata histórica

A Barqueata e sua Significação

No dia 12 de novembro de 2025, uma barqueata histórica percorreu as águas do rio Guamá, marcando a abertura da Cúpula dos Povos. Com a participação de mais de cinco mil pessoas em cerca de 200 embarcações, essa manifestação simbolizou uma resistência coletiva e a busca por soluções verdadeiras para os desafios climáticos enfrentados globalmente. As embarcações, decoradas com faixas e cartazes, foram utilizadas como uma forma de denunciar as contradições e ineficácias das políticas que são frequentemente propostas nos âmbitos internacionais, como as discutidas na COP 30.

A barqueata tomou um trajeto significativo, iniciando na Universidade Federal do Pará e finalizando na Vila da Barca, uma comunidade que exemplifica a luta por dignidade e condições de vida adequadas. O percurso simbolizou não só a resistência das comunidades ribeirinhas, mas também a busca por justiça e tratamento adequado das questões ambientais que afetam diretamente as populações mais vulneráveis.

Durante o trajeto, muitas vozes se manifestaram, reforçando a necessidade de resistência e a urgência de mudanças significativas nas políticas públicas. Essa mobilização sublinhou que as soluções para os problemas climáticos devem ser construídas com a participação ativa da população e não impostos de cima para baixo. A barqueata não só iniciou a Cúpula, mas também fortaleceu um sentimento de união entre diversos movimentos sociais que buscam enfrentar a crise climática em diálogo e coletividade.

A Presença do ANDES-SN

O ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) marcou presença na barqueata com uma embarcação que transportou docentes comprometidos com a luta por justiça climática. A participação do sindicato não se limitou a um ato simbólico; foi uma expressão clara do compromisso histórico com a classe trabalhadora e a educação, ressaltando a união entre a luta pela educação e as questões sociais e ambientais.

A presença do ANDES-SN na barqueata foi uma oportunidade de trazer as preocupações da classe docente para o centro do debate, destacando o papel da educação como um pilar fundamental em qualquer movimento social. Os docentes sabem que a academia não pode se alhear das questões sociais que afetam diretamente as realidades de seus alunos e comunidades vizinhas. Essa intersecção entre educação e justiça climática é vital para que as futuras gerações possam estar mais preparadas para enfrentar os desafios ambientais.

Durante a Cúpula dos Povos, o ANDES-SN se envolveu ativamente nas atividades programadas, aproveitando as discussões para abordar temas como a necessidade de um ensino que respeite a diversidade cultural e as práticas sustentáveis promovidas pelas comunidades tradicionais. A união dos docentes com outros movimentos sociais fortalece o compromisso de alavancar uma mudança social efetiva, gerando impacto não só em seus contextos educacionais, mas em toda a sociedade.

Vozes das Comunidades Atingidas

Um dos grandes destaques da Cúpula dos Povos foi a presença e a voz das comunidades mais afetadas pela crise climática. Com o aumento das crises ambientais, a participação direta de quem vivencia as consequências desastrosas das mudanças climáticas é crucial para que as discussões não sejam apenas teóricas, mas também práticas e aplicáveis. Essas comunidades, incluindo povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, trouxeram relatos e experiências que ilustram a urgência da situação.

As vozes que emergiram na Cúpula destacaram as desigualdades exacerbadas pela crise climática, onde comunidades de menor renda e com menor acesso a recursos são as que mais sofrem. Essas narrativas demonstram que as propostas de soluções frequentemente falham em considerar as particularidades e as realidades locais, o que pode levar a respostas inadequadas que não resolvem os problemas estruturais.

Além disso, as comunidades frequentemente apresentaram alternativas inovadoras e tradicionais que já estão em prática, evidenciando que muitos dos caminhos para a justiça climática podem ser encontrados nas experiências locais. A troca de saberes e práticas entre diferentes grupos é fundamental, pois enriquece o debate e amplia as possibilidades de ação conjunta. A visibilidade dessas vozes é um ponto essencial na luta por justiça social e ambiental, pois traz à tona a ideia de que soluções eficazes devem ser construídas a partir da participação de quem mais se importa: aqueles que vivem no dia a dia das realidades afetadas.

Desafios da Conferência das Nações Unidas

A COP 30 enfrentou diversos desafios ao tentar abordar questões climáticas num contexto global. Um dos principais obstáculos destacados durante a Cúpula dos Povos é a inércia dos países do Norte Global, que muitas vezes esquecem ou ignoram as vozes das comunidades mais afetadas e as necessidades dos países em desenvolvimento. Durante a conferência, foi evidente que, apesar das promessas, as ações concretas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e promover a justiça climática ainda são limitadas.

Outro desafio significativo é o financiamento justo e adequado para iniciativas climáticas. Sem verbas suficientes e programas de implementação que respeitem os direitos e as necessidades locais, as discussões durante a COP tendem a se tornar apenas retóricas. A falta de apoio financeiro compromete a capacidade das comunidades de se adaptarem às novas realidades climáticas e de implementarem soluções eficazes para seus contextos específicos.



As promessas de compensação de carbono e criação de mecanismos financeiros, embora úteis, são frequentemente insuficientes e limitadas a soluções que não atacam a raiz do problema, que é a exploração desenfreada dos recursos naturais. É necessário um repensar sobre a forma como a comunidade internacional se relaciona com a crise climática, favorecendo políticas que incentivem a justiça social e não deixem as comunidades mais vulneráveis de fora do processo.

Compromissos da COP 30

Os compromissos assumidos na COP 30 devem ser considerados com cautela. Apesar dos bons discursos e reconhecimento das necessidades de ação imediata, a realidade demonstra que, muitas vezes, os acordos firmados não se traduzem em ações efetivas. Durante a Cúpula dos Povos, grandes questões foram levantadas sobre a eficácia de medidas que visem a redução da emissão de gases de efeito estufa e preservação de comunidades tradicionais.

As expectativas giraram em torno de como os governos se comprometeriam a atuar não apenas em metas quantitativas, mas também em respeitar os direitos dos povos indígenas e tradicionais, que muitas vezes são os guardiões das florestas e ecossistemas. A falta de um compromisso firme e transparente que atenda a essas demandas é uma fonte de desconfiança entre os movimentos e suas lideranças.

Ainda assim, a Cúpula dos Povos mostrou que há uma resistência e uma força coletiva disposta a lutar por um futuro melhor. Os compromissos da COP 30 precisariam refletir uma verdadeira vontade política para gerar um impacto positivo nas vidas das pessoas que mais sofrem as consequências das mudanças climáticas, em vez de se concentrar apenas em soluções de mercado que frequentemente ignoram as vozes coletivas.

Atividades da Tenda da Educação

Durante a Cúpula, a Tenda da Educação foi um espaço de diálogos importantes sobre a interseção entre educação e justiça climática. Vários painéis e debates ocorreram, abordando temas como as lutas de classes, educação indígena e as iniciativas educativas que promovem a sustentabilidade. A presença de educadores e representantes de movimentos sociais trouxe uma riqueza de conhecimento e experiências que avaliaram o papel da educação na construção de um futuro mais equitativo.

Entre os temas debatidos estavam a Educação e Luta de Classes diante da crise climática e Capitalismo, conflitos climáticos e direitos humanos. Os debates exploraram a necessidade de uma educação que não apenas informe, mas que também empodere as comunidades a se tornarem agentes ativos na luta pela justiça social e ambiental.

A Tenda serviu como um ponto de encontro para pensadores críticos que se preocupam em como o sistema educacional pode ser uma ferramenta de transformação nas comunidades. A urgência de uma abordagem educacional que valorize e respeite as culturas locais foi enfatizada, assim como a necessidade de formação para a conscientização e enfrentamento das crises sociais e climáticas. Esses debates contribuem para um pensamento coletivo sobre como a educação deve evoluir para abordar as questões atuais e futuras.

Debates Importantes na Cúpula

Os debates que aconteceram durante a Cúpula dos Povos foram fundamentais para consolidar as vozes que clamam por mudança. Os painéis e mesas de discussão proporcionaram um ambiente onde participantes puderam compartilhar experiências, apresentar soluções e apontar desafios enfrentados por suas comunidades. Novos diálogos emergiram, apontando para problemas interconectados que precisam ser abordados em conjunto.

Questões sobre a soberania alimentar, direitos territoriais e garantias de direitos humanos foram discutidas intensamente, tendo em vista que as comunidades mais afetadas pela crise climática costumam ser as que têm menos acesso a recursos e políticas de apoio. Essa troca de conhecimento foi vital para fortalecer a luta de diferentes grupos, oferecendo uma base para colaboração futura.

Além disso, o espaço também discutiu as dimensões geopolíticas da Amazônia e a necessidade de uma resistência coletiva para proteger a floresta mais rica em biodiversidade do mundo. Os debates sobre o tema mostraram como a Amazônia é vital não só para o Brasil, mas para o planeta como um todo, e como sua preservação está intrinsicamente ligada à luta pela justiça social.

Marcha Mundial pelo Clima

Um dos eventos mais esperados da Cúpula dos Povos foi a Marcha Mundial pelo Clima, programada para o dia 15 de novembro. Essa marcha unificou os movimentos sociais e a sociedade civil em uma grande manifestação pela justiça climática. Partindo do Mercado de São Brás, a marcha percorreu quatro quilômetros até a sede da organização Aldeia Cabana, simbolizando a luta coletiva por direitos e melhorias nas condições de vida.

Durante a marcha, foram erguidas faixas e cartazes reafirmando o compromisso dos movimentos em qualquer luta pela preservação do planeta e pelas vidas que dele dependem. Juntamente com diversas atividades culturais e artísticas, a marcha promoveu uma atmosfera de esperança e responsabilidade coletiva, enfatizando que a luta por um futuro sustentável e justo é de todos nós.

A Marcha Mundial pelo Clima foi um forte lembrete de que, embora os desafios sejam imensos, a união e a voz coletiva têm o poder de pressionar por mudanças significativas e sustentáveis. Sensibilizar a população e mobilizá-la para a ação não só empodera as comunidades, mas também torna mais difícil para os tomadores de decisão ignorar as reivindicações justas por justiça climática.

Perspectivas Futuras para Justiça Climática

As perspectivas futuras em relação à justiça climática são esperançadoras, mas exigem ação e compromisso. A participação ativa de movimentos sociais, comunidades marginalizadas e organizações como o ANDES-SN mostra que há vontade de luta. No entanto, é preciso que os tomadores de decisão ouçam essas vozes e integrem as soluções apresentadas às políticas públicas.

O caminho para a justiça climática inclui gerar conscientização e um envolvimento contínuo na educação e proteção das comunidades vulneráveis. Há uma necessidade urgente de que promovam-se discussões sobre como criar um modelo econômico que respeite os limites do planeta e promova a equidade social. Essa é uma responsabilidade coletiva que deve ser assumida por todos: cidadãos, governos e empresas.

As lições aprendidas durante a Cúpula dos Povos em Belém, e os debates estimulantes que aconteceram, devem ser levados em consideração nas futuras conferências e encontros. O verdadeiro teste virá quando os compromissos assumidos forem traduzidos em ações concretas que ofereçam um futuro sustentável, justo e digno para todos. A luta por justiça climática apenas começa, e todos devem se empenhar para que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas no cenário global.



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