Todo apoio à greve dos operários e operárias da construção civil de Belém (PA)

Contexto da Greve

No último dia 17 de setembro de 2026, trabalhadores e trabalhadoras da construção civil de Belém, Ananindeua e Marituba decidiram iniciar uma greve que será por tempo indeterminado. Essa decisão foi tomada após a assembleia da categoria, onde foi rejeitada a proposta oferecida pelo Sinduscon-PA, o Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará, durante as negociações salariais.

A greve se destaca como uma nova expressão da luta e determinação dos operários do setor, que começaram suas mobilizações com atos e protestos nas ruas da capital paraense. Os trabalhadores acreditam que a proposta da patronal não só desconsidera suas demandas como está significativamente aquém das condições necessárias para aqueles que sustentam os lucros do setor e, ao mesmo tempo, enfrentam um elevado custo de vida.

A CSP-Conlutas, uma central que tem se mostrado solidária à luta das categorias, reafirma seu apoio ao movimento grevista e aos trabalhadores envolvidos, alinhando-se à busca por conquistas dignas e necessárias.

greve dos operários da construção civil de Belém

Reivindicações dos Trabalhadores

A proposta apresentada pelo Sinduscon-PA inclui um reajuste de apenas 4,5% nos salários e na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que atualmente é de R$ 350, além de um aumento de apenas R$ 20 na cesta básica, que passaria de R$ 160 para R$ 180. Essa proposta foi considerada insuficiente pelos trabalhadores, que definiram uma pauta de reivindicações mais robusta.

A pauta aprovada pelos trabalhadores inclui:

  • Reajuste Salarial: Os trabalhadores estão reivindicando um aumento de 8% nos salários.
  • PLR: A proposta é de que a PLR seja elevada para R$ 405,25.
  • Cesta Básica: A cesta básica deve aumentar para R$ 260.
  • Salários em Dia: Os trabalhadores exigem que todos os salários sejam pagos até o dia 30 de cada mês.
  • Vale-Transporte: Solicitação para que o vale-transporte seja pago em dinheiro.
  • Classificação Profissional para Mulheres: Implementação de um programa que favoreça a inclusão profissional das mulheres no setor.
  • Aviso-Prévio Indenizado: A categoria clama por este direito.
  • Manutenção das Cláusulas Sociais: É crucial a manutenção das cláusulas sociais existentes na Convenção Coletiva.

Resposta do Sindicato Patronal

Na última quinta-feira, uma reunião de mediação ocorreu na Superintendência Regional do Trabalho, mas não houve avanço nas negociações. A proposta da patronal não foi alterada, o que levou a categoria a manter a greve. A sugestão de um reajuste de 5,5% e uma cesta básica de R$ 200, apresentada durante a mediação, também foi rejeitada pelos trabalhadores, que consideraram que essas ofertas não atendem adequadamente suas necessidades.

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (STICMB) manifesta sua insatisfação com a abordagem intransigente do setor patronal, afirmando que as longas discussões ocorreram sem resultados concretos, levando à necessidade de intensificar a mobilização.



Apoio da CSP-Conlutas

A CSP-Conlutas expressa total solidariedade à luta dos operários e operárias da construção civil em Belém e mobiliza o apoio da categoria à greve. A central destaca a importância dessa ação para garantir melhores condições de trabalho e salários justos, e soma esforços à luta por justiça social e um ambiente de trabalho mais digno para todos os trabalhadores do setor.

Impacto do Custo de Vida

Os trabalhadores da construção civil abordam a crescente disparidade entre os baixos salários e o aumento significativo do custo de vida. Argumentam que a proposta patronal não alivia a pressão financeira que enfrentam diariamente, desconsiderando o contexto atual econômico que impacta diretamente suas vidas e suas famílias.

Desigualdade nas Obras

Além das questões salariais, uma das preocupações é em relação à desigualdade enfrentada pelas mulheres dentro das obras. As reivindicações destacam a necessidade de criação de políticas e mecanismos que favoreçam a qualificação e a progressão profissional das mulheres, que muitas vezes enfrentam barreiras adicionais em um ambiente de trabalho predominantemente masculino.

O Papel das Mulheres na Greve

A presença e o papel das mulheres no movimento grevista são fundamentais para mostrar a luta pela igualdade de oportunidades e valorização no mercado de trabalho. As mulheres na construção civil exigem não apenas salários justos, mas também respeito e igualdade em suas funções e oportunidades, reivindicando seus direitos de maneira ativa e tanto no espaço público quanto privado.

Mobilizações e Protestos

A mobilização, que começou nas ruas de Belém, é uma tentativa de chamar a atenção para a situação que todos enfrentam na construção civil, com protestos organizados a fim de pressionar por um acordo justo. Esses atos de desobediência civil têm o objetivo de visibilizar o descontentamento da categoria e levar a mensagens claras aos representantes patronais.

Futuro das Negociações

Após a greve estar em andamento e as mobilizações crescendo, o futuro das negociações permanece incerto. Os trabalhadores estão determinados a amplificar suas ações até que suas demandas sejam finalmente atendidas. A expectativa é que a pressão social e a visibilidade ganhassem força para obrigar os representantes patronais a reconsiderar as propostas e se engajar em um diálogo genuíno.

Chamada à Solidariedade

A CSP-Conlutas conclama que todos os movimentos e entidades populares unam forças para apoiar a luta dos trabalhadores da construção civil. É um momento crucial para a categoria e um desafio que deve ser enfrentado coletivamente, promovendo um esforço de solidariedade e suporte. O chamado é para que a sociedade em geral se una em apoio a esta greve histórica e lamente as injustiças atualmente enfrentadas.

Por isso, é essencial que todos se mobilizem em prol de:

  • Suporte incondicional à greve dos trabalhadores e trabalhadoras da construção civil de Belém, Ananindeua e Marituba!
  • Repúdio à obstinação dos empresários e à insensibilidade com que tratam as necessidades da categoria!
  • Retomada imediata das negociações com propostas que condigam com as reivindicações da categoria!


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